Rádio AM/FM segue como item indispensável para a maioria dos consumidores, aponta pesquisa

Levantamento da Nielsen mostra que os consumidores consideram o rádio essencial e que muitos valorizam a presença do meio nos veículos

15/07/2026


FOTO: Magnifc

Um levantamento realizado pela Nielsen, em parceria com a iHeartMedia, reforça a relevância do rádio AM/FM no ambiente automotivo, mesmo diante da expansão das plataformas digitais embarcadas. A pesquisa, divulgada em maio deste ano, aponta que quase metade dos consumidores que adquiriram ou pretendem adquirir um veículo afirma que não compraria um modelo sem rádio AM/FM de fábrica. O estudo também mostra que o meio permanece como a principal fonte de áudio nos automóveis, respondendo por 55% do tempo de escuta registrado no primeiro trimestre de 2026. 


Segundo os dados,
mais de sete em cada dez entrevistados consideram o rádio AM/FM um recurso essencial, que deve fazer parte da configuração básica dos veículos novos. O percentual coloca o equipamento em nível semelhante ao da integração com smartphones, por meio de plataformas como Apple CarPlay e Android Auto, e acima de serviços de rádio por satélite e aplicativos de música embarcados.

A pesquisa utilizou a metodologia
Choice-Based Conjoint (CBC), amplamente empregada pela indústria automotiva para medir o peso de diferentes atributos na decisão de compra dos consumidores. De acordo com o levantamento, a presença do rádio AM/FM aparece como o segundo fator de maior influência entre os recursos de áudio e entretenimento avaliados, ficando atrás apenas da integração com smartphones.

O estudo também identificou impactos na percepção das marcas automotivas.
Aproximadamente metade dos entrevistados afirmou que teria uma imagem menos favorável de fabricantes que optassem por eliminar o rádio AM/FM de seus veículos. Entre consumidores com 55 anos ou mais, esse comportamento foi ainda mais acentuado

Segundo a Nielsen, esse comportamento vai além da percepção sobre o produto.
A análise aponta que a retirada do rádio AM/FM representa um risco potencial para as montadoras, já que a ausência do equipamento pode influenciar diretamente a intenção de compra de parte dos consumidores e afetar a competitividade das marcas em um mercado cada vez mais disputado.

Rádio segue associado à informação e à segurança

Além do entretenimento, os participantes associam o rádio a funções consideradas importantes durante os deslocamentos. O levantamento aponta que
oito em cada dez entrevistados valorizam a possibilidade de receber alertas de emergência, informações sobre trânsito e notícias locais por meio do rádio. Outro dado destacado é que dois terços dos consumidores consideram importante acompanhar transmissões esportivas em tempo real, sem o atraso normalmente observado em plataformas de streaming.

Os hábitos de consumo também reforçam esse cenário. Segundo o estudo
Share of Ear, da Edison Research, o rádio concentrou 55% de todo o tempo dedicado ao consumo de áudio no interior dos veículos durante o primeiro trimestre de 2026. Os serviços de streaming responderam por 16% desse total, enquanto podcasts, YouTube, rádio via satélite, audiolivros e arquivos armazenados nos dispositivos somaram os 29% restantes.

Apesar da evolução das soluções digitais embarcadas, a pesquisa indica que os consumidores não enxergam o rádio e as plataformas conectadas como tecnologias concorrentes. O levantamento mostra que
quatro em cada dez motoristas conectam o smartphone ao veículo logo no início da viagem, enquanto um quarto dos entrevistados afirma que sua primeira ação é sintonizar uma emissora de rádio.

O levantamento também indica que
os consumidores não tratam o rádio terrestre e a conectividade embarcada como tecnologias concorrentes. Na prática, a preferência dos entrevistados demonstra que o rádio continua exercendo um papel complementar ao smartphone durante os deslocamentos, combinando informação em tempo real, conteúdo local e entretenimento com os recursos oferecidos pelas plataformas conectadas.

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Debate avança nos Estados Unidos

A metodologia empregada na pesquisa também chama a atenção. O modelo Choice-Based Conjoint (CBC), utilizado no levantamento, é amplamente adotado pela própria indústria automotiva para medir como diferentes características influenciam a decisão de compra dos consumidores, sendo considerado uma das principais ferramentas para definição de equipamentos de série e opcionais em novos veículos.

Os resultados também ganham destaque em meio às discussões sobre a permanência do rádio nos veículos comercializados nos
Estados Unidos. Atualmente, a National Association of Broadcasters (NAB), em conjunto com parlamentares norte-americanos, defende a aprovação de uma legislação que torne obrigatória a presença do rádio AM como equipamento padrão em veículos novos. Entre os argumentos apresentados estão a importância do meio para a disseminação de alertas públicos, informações de emergência e conteúdos de interesse local.

Dados complementares da MRI-Simmons, referentes ao inverno de 2026, também reforçam
a relação do rádio com o mercado automotivo. O levantamento mostra que ouvintes frequentes de AM/FM têm probabilidade 6% superior à média norte-americana de afirmar que pretendem comprar um veículo novo nos próximos 12 meses.

O rádio aparece em primeiro lugar em intenção de compra para picapes, SUVs e veículos híbridos ou elétricos. Também ocupa a segunda posição nos segmentos de sedãs novos e veículos usados. Entre os ouvintes frequentes de rádio, a probabilidade de compra de um sedã de quatro portas é 15% maior em relação à média da população. No caso das minivans, o índice é 17% superior.

Dados reforçam discussão sobre a preservação do rádio no automóvel

O conjunto de estudos divulgados ao longo dos últimos meses mostra um cenário que continua chamando a atenção do setor. Ao mesmo tempo em que a Tesla iniciou a retirada do rádio terrestre de parte de seus modelos mais acessíveis, pesquisas de diferentes instituições apontam que os consumidores continuam valorizando o AM/FM e mantendo o rádio como principal plataforma de áudio durante os deslocamentos.

Em conjunto, os levantamentos divulgados ao longo dos últimos meses indicam que,
mesmo com a rápida expansão das plataformas digitais embarcadas, o rádio continua sendo percebido pelos consumidores como um recurso essencial do veículo, cenário que desafia a estratégia de fabricantes que estudam reduzir ou eliminar sua presença nos painéis.

Na avaliação apresentada pela
Cumulus Media Audio Active Group, os novos indicadores reforçam que o rádio permanece ocupando posição estratégica no ambiente automotivo, mesmo diante da expansão das plataformas conectadas. Somados aos levantamentos já divulgados sobre a preferência dos consumidores pela manutenção do rádio nos veículos, os resultados mantêm aquecido o debate internacional sobre a preservação desse meio de comunicação no painel dos automóveis, tema que continua sendo acompanhado de perto pela indústria da radiodifusão e pelo mercado automotivo.

E no Brasil?

No Brasil, não há um movimento semelhante de retirada da recepção de rádio FM em automóveis, apesar de a banda AM já estar ausente em vários modelos, principalmente os importados
. A Tesla não possui operação comercial no país,
e quem tem influenciado as decisões sobre os veículos elétricos são as montadoras chinesas, que expandem rapidamente sua presença no mercado brasileiro. Nesse caso, segundo mapeamento do tudoradio.com, não foi observada ausência de recepção de rádio FM. Existe um aprimoramento das experiências relacionadas ao FM nos novos veículos., mas algumas experiências recentes em modelos específicos da Volkswagen, Geely, Nissan e Chevrolet (linha eletrificada) abrem um alerta no setor, como o uso limitado ou ausência do RDS, além de uma captação de sinal e áudio inferiores ao que é encontrado em outros modelos similares.

Repórter: TudoRádio

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