Anatel referenda projetos do Gaispi que vão destinar R$ 1,7 bilhão para DTV+ e data center
Recursos do leilão do 5G financiarão um centro de dados voltado à IA e a distribuição de 910 mil conversores da DTV+ para famílias inscritas em projetos sociais
04/11/2026
Conselho Diretor da Anatel referendou propostas aprovadas pelo Gaispi. Foto: Lucas Bolzan/Anatel
O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) referendou nesta quarta-feira (4/11) duas propostas aprovadas pelo Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência na faixa de 3,5 GHz (Gaispi) que destinam de R$ 1,65 bilhão a R$ 1,7 bilhão de recursos remanescentes do leilão do 5G para a novos projetos. As iniciativas incluem acriação de um data center soberano voltado a IA, orçado em R$ 375 milhões, e a distribuição de conversores de TV 3.0 para famílias de baixa renda, que somam R$ 1,28 bilhão. “Liberamos cerca de R$ 1,7 bilhão das sobras do leilão do 5G para dois projetos, mantendo a obrigação do edital original. Fizemos isso com uma garantia que considero inegociável: a reserva integral do que falta para concluir os projetos originais, acrescida de margem de segurança. Nenhuma obrigação do Edital é tocada”, afirmou o conselheiro da Anatel Edson Holanda, que preside o Gaispi. Data center O projeto direcionado à infraestrutura de processamento do governo federal prevê a instalação de um data center soberano em terreno de 5 mil metros quadrados, sob titularidade da União, operação a cargo da Telebras e integração com a Rede Privativa da Administração Pública Federal. A estrutura terá módulo de IA com refrigeração líquida, servidores de alta capacidade e alimentação redundante. Segundo o conselheiro, a estrutura tem caráter estratégico para o país. "Em um momento em que a soberania digital deixou de ser tema de especialistas para se tornar questão de segurança nacional, este projeto coloca a infraestrutura onde ela precisa estar", explicou Holanda.
Quer receber notícias da ACAERT? Assine a newsletter - Assine aqui e receba por e-mail TV 3.0 A segunda frente visa permitir que famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica cadastradas no Bolsa Família acessem a nova tecnologia da televisão aberta. O projeto da TV 3.0 prevê atender cerca de 910 mil famílias inscritas no programa federal de transferência de renda em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal por 24 meses, cobrindo equipamentos com o Android ou com o Projeto de Código Aberto do Android (AOSP) e toda a logística de entrega. "A TV 3.0 é a maior transformação da televisão aberta desde a digitalização. Sem este projeto, a transição tecnológica criaria uma nova exclusão, quem pode comprar o aparelho novo entra na nova era e quem não pode, fica para trás. Este Conselho decidiu que ninguém fica para trás por falta de um conversor", afirmou o conselheiro. De acordo com o conselheiro, os dois projetos seguem o modelo de governança já adotado pela Anatel no Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência na faixa de 3,5 GHz (Gired), com reserva prudencial, faseamento e acompanhamento permanente pelo Gaispi, o que, na visão de Holanda, representa uma execução responsável de política pública.