Adesão da NAB reforça o movimento global para defender o futuro do rádio nos automóveis

Brasil acompanha tendência mundial de integração da radiodifusão aos sistemas multimídia automotivos

03/08/2026


FOTO: Magnifc


A National Association of Broadcasters (NAB), principal entidade que representa o setor de radiodifusão dos Estados Unidos, anunciou sua adesão à iniciativa internacional
Radio Ready, movimento que reúne radiodifusores e organizações de diferentes países em torno de um objetivo comum: garantir que o rádio continue facilmente acessível e visível nos sistemas multimídia dos veículos conectados. A decisão amplia o alcance global da campanha e reforça uma discussão que também ganha espaço no mercado brasileiro, especialmente com o avanço do rádio híbrido. No Brasil, essa preocupação já existe no setor, com associações de referência em contato com as montadoras e, como tem sido acompanhado nos últimos anos pelo tudoradio.com, analisando como os sistemas multimídia automotivos estão trabalhando com o rádio.

Até então, a atuação da NAB estava fortemente concentrada na defesa da permanência dos receptores de rádio, principalmente AM, nos automóveis comercializados nos Estados Unidos. Com a entrada no Radio Ready, a entidade passa a integrar um esforço internacional voltado a um novo desafio da indústria:
assegurar que o rádio continue ocupando posição de destaque nas interfaces digitais dos veículos, mesmo em um ambiente cada vez mais dominado por sistemas baseados em software, plataformas de streaming e assistentes de voz.

O cenário brasileiro

No
Brasil, a preocupação também envolve a forma como o rádio é apresentado e integrado aos sistemas multimídia dos veículos, buscando preservar sua visibilidade e facilitar o acesso do usuário. A diferença em relação ao mercado norte-americano é que ainda não há um movimento de retirada da recepção de rádio FM em automóveis, apesar de a banda AM já estar ausente em vários modelos, principalmente os importados. A Tesla, que fez isso com o FM em dois modelos de entrada nos Estados Unidos, não possui operação comercial no país, e quem tem influenciado as decisões sobre os veículos elétricos são as montadoras chinesas, que expandem rapidamente sua presença no mercado brasileiro.

Nesse caso, segundo mapeamento do
tudoradio.com, não foi observada ausência de recepção de rádio FM. Entre as montadoras chinesas, que vêm ampliando rapidamente sua presença no mercado brasileiro, também há avanços relacionados ao rádio híbrido. Como noticiado recentemente pelo tudoradio.com, a BYD anunciou a adoção da plataforma DTS AutoStage em seus veículos comercializados no país, ampliando as perspectivas para a expansão do rádio híbrido no mercado nacional. A solução integra sinais de radiodifusão convencional com conteúdos distribuídos pela internet, enriquecendo a experiência do usuário com logotipos, imagens, metadados e informações em tempo real, além de facilitar a descoberta das emissoras diretamente na interface do veículo.

Apesar dessa evolução, o cenário ainda não é homogêneo. O mapeamento realizado pelo tudoradio.com também aponta que algumas experiências recentes
em modelos específicos da Volkswagen, Geely, Nissan e Chevrolet (linha eletrificada) acendem um alerta no setor, como o uso limitado ou a ausência do RDS, além de uma captação de sinal e qualidade de áudio inferiores às encontradas em outros modelos similares. Em montadoras entrantes, como Geely e Omoda | Jaecoo, a experiência observada também indica a necessidade de aprimorar a integração e a usabilidade do rádio FM em seus sistemas.

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NAB e o Radio Ready

O
Radio Ready reúne atualmente emissoras públicas e comerciais, associações setoriais e grupos de mídia de diferentes regiões do mundo. A iniciativa é coordenada pela Bauer Media Group e pela European Broadcasting Union (EBU), tendo como foco a definição de princípios para que o rádio permaneça facilmente encontrável, acessível e integrado à experiência dos veículos conectados. Nos últimos anos, a campanha recebeu adesões de organizações da Europa, Austrália, África e, agora, dos Estados Unidos, ampliando seu peso institucional perante montadoras, desenvolvedores de plataformas automotivas e formuladores de políticas públicas.

Segundo Curtis LeGeyt, presidente e CEO da NAB,
o rádio continua sendo um elemento essencial da experiência de dirigir, oferecendo informação local confiável, alertas de emergência e entretenimento. Para ele, à medida que os painéis dos veículos evoluem, torna-se fundamental garantir que a radiodifusão permaneça facilmente acessível aos motoristas.

Já Tobias Nielsen, vice-presidente sênior de Digital da Bauer Media Audio, afirmou que
a chegada da NAB fortalece significativamente o movimento nos Estados Unidos e amplia a colaboração internacional em torno da preservação da presença do rádio nos carros conectados. Na mesma linha, Wouter Quartier, diretor de Rádio da EBU, destacou que a iniciativa busca unificar a voz da indústria para dialogar com fabricantes de veículos, plataformas digitais e autoridades regulatórias sobre o futuro da distribuição do rádio nos automóveis.

A discussão acompanha uma transformação acelerada do setor automotivo, em que os sistemas de infotainment passam a ser definidos principalmente por software. Nesse cenário,
a simples presença de um sintonizador deixa de ser suficiente: o rádio precisa estar integrado às interfaces digitais, aparecer entre as opções de áudio, oferecer busca facilitada e funcionar de forma transparente em conjunto com tecnologias híbridas, que combinam transmissão terrestre e conectividade IP.

O avanço dessas tecnologias ocorre em um momento em que pesquisas mostram a importância do meio rádio para os consumidores. Levantamento recente mostrou que
mais de sete em cada dez entrevistados consideram o rádio AM/FM um item essencial nos automóveis, enquanto quase metade afirmou que não compraria um veículo sem esse recurso. Esse cenário reforça a percepção de que, além de permanecer presente nos veículos, o rádio também precisa manter sua relevância e visibilidade nas novas plataformas digitais embarcadas, objetivo que passa a ser defendido de forma coordenada por um número crescente de organizações internacionais e que também vem sendo acompanhado pelo setor de radiodifusão brasileiro.

Repórter: TudoRádio

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