Longe do streaming e dos algoritmos, esse é o jeito mais fácil de descobrir coisas novas
09/10/2026
Você tem a sensação de ouvir sempre as mesmas músicas? Sente
falta de conhecer novas bandas e artistas? Então, vou dar uma dica: escute
rádio.
Essa angústia se tornou mais comum nos últimos anos, com o
consumo de música focado em plataformas digitais, como Spotify, Deezer e
YouTube. Esses serviços fazem recomendações por meio de uma análise complexa de
dados. Eles não apenas registram as faixas que você ouve, salva, compartilha e
adiciona a playlists. Também analisam o tempo dedicado a cada música, horários
e padrões rítmicos mais frequentes, e até comparam suas preferências com as de
pessoas com perfis semelhantes. Tudo para que a próxima música a ser
reproduzida combine direitinho com o estilo musical de que você mais gosta.
Tudo isso pode ser ótimo — há momentos em que só queremos
mesmo sentir o coração confortável. Mas fica a sensação de estarmos presos numa
bolha cultural, consumindo sempre as mesmas coisas. E algumas pessoas passam a
achar que nada mais vale a pena conhecer, o que, é claro, nunca é verdade.
Aproveitando que a Rádio Eldorado está de volta, com sua
ótima curadoria como trunfo, venho aqui relembrar que ouvir rádio é o jeito
mais fácil de ampliar seu repertório musical. O papel desse meio mudou ao longo
dos anos. Antes do digital, o rádio era visto como uma ferramenta de validação,
um lugar para o que já era consolidado: o artista era considerado bem-sucedido
quando tocava nesses aparelhos.
Com a internet, surgiram outras formas de medir sucesso, mas o rádio continuou relevante. A pesquisa Audio Pulse, feita pelo Ibope em 2026, mostrou que essa mídia alcança 77% da população nas principais regiões metropolitanas do País.
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Agora, além de te mostrar o que faz sucesso, a programação
do rádio te coloca em contato com músicas e artistas que você não colocaria
para ouvir por conta própria. Inclusive porque, diferentemente das plataformas,
com recomendações baseadas em algoritmos e IA, o rádio continua sendo feito
essencialmente por humanos.
Algumas emissoras têm entendido isso muito bem e apostado em
uma curadoria focada em oferecer ao ouvinte aquilo que ele ainda não sabe que
gosta. Esse é um desejo crescente do consumidor, especialmente dos mais jovens,
que têm buscado formas mais antigas de ouvir música para combater a mesmice. A
plataforma Media Research, que analisa o mercado de entretenimento, produziu um
levantamento sobre isso no Reino Unido, EUA e Canadá. Os resultados mostraram
que 42% dos ouvintes de rádio ao vivo com idades entre 20 e 34 anos usam essa
ferramenta principalmente para descobrir músicas.
Artigo publicado no jornal Estado de São Paulo - edição 09/10/26
Repórter: O Estado de São Paulo