Rádios separam o dial do streaming durante o horário eleitoral para manter a audiência

Emissoras apostam na programação on-line como alternativa ao conteúdo de mídia eleitoral obrigatória transmitido pelo AM/FM

28/08/2026


Fonte: Magnific

A cada novo pleito eleitoral, o rádio se vale de uma estratégia importante para seguir engajando sua audiência com a programação habitual:
separar o dial do streaming durante os horários da propaganda política obrigatória no FM/AM. Ou seja, quem se conectar ao streaming de algumas das principais emissoras do país terá, a partir de hoje (28), a possibilidade de continuar acompanhando o conteúdo habitual característico de cada estação, enquanto a sintonia pelo dial cumpre os compromissos eleitorais. Algumas grandes redes de rádio já anunciam em suas grades que o streaming seguirá com a programação normal das emissoras, e isso pode potencializar ainda mais o consumo do áudio digital das estações.

São várias as práticas: a maioria das emissoras que já realiza esse tipo de planejamento, separando o dial do streaming durante o horário político, costumava fazer isso apenas nos dois blocos contínuos do horário eleitoral, que anteriormente tinham uma duração média total de 50 minutos. Nos últimos pleitos, isso mudou, com os “blocões” sendo reduzidos, mas com a aplicação de um maior número de inserções eleitorais nos breaks das emissoras. Mesmo assim, as rádios acharam por bem manter a prática anterior, considerando que, mesmo com um tempo reduzido,
a mudança na grade para o horário eleitoral em um período nobre para o rádio pode causar a fuga da audiência para outras mídias. Por isso, o streaming acaba fazendo sentido para que o ouvinte ainda tenha sua emissora preferida como opção, caso não deseje ouvir o horário eleitoral.

Porém, algumas emissoras estão indo além: estão organizando seus breaks de forma separada entre streaming e dial. Ou seja, no digital, a rádio cumpre seus compromissos comerciais com os parceiros, mas não executa os spots políticos. Já no dial, tanto a publicidade quanto as campanhas políticas são executadas, cumprindo-se, assim, todas as obrigações impostas ao FM/AM. A prática requer muito cuidado, devido ao volume de inserções e à sincronia entre as janelas, mas acaba valendo a pena, pois, nessa época, os intervalos ficam muito extensos.
Redes como Antena 1 e CBN já fizeram esse tipo de planejamento.

E a necessidade de adotar planejamentos como esses cresce a cada período eleitoral: existe uma grande disputa pela atenção das pessoas nos mais diversos formatos de mídia, e o conteúdo de rádio passou a atuar com uma entrega multiplataforma, para além da radiofrequência — que segue como pilar principal, tanto que as inserções eleitorais no dial têm sido determinantes nos últimos pleitos.
A essência do Rádio 3.0, que tem o áudio ao vivo como matriz de tudo, mas cuja distribuição ocorre nas mais diversas plataformas, com crescimento constante desse tipo de consumo, é um incentivo a mais para que as emissoras considerem essas práticas em seus planejamentos.

Um exemplo é a
Rede BandNews FM: a emissora passou as últimas semanas avisando a audiência sobre mudanças pontuais na grade por causa do horário eleitoral, mas apenas em relação à organização das entradas de comentaristas, para que quem estiver no dial não perca os conteúdos habituais. Já o streaming de áudio e iniciativas como a retransmissão em vídeo no YouTube e na FastTV seguirão essa lógica de separação, para manter o conteúdo habitual da rádio disponível como opção.

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Setor precisa ter cuidado com as geradoras

Uma das questões levantadas nas últimas semanas foi como as emissoras do interior irão formar cadeia de rádio no horário eleitoral obrigatório, já que parte das grandes emissoras das capitais poderá aplicar a separação entre o dial e o streaming durante esse período. Algumas emissoras que serão geradoras do horário político avisaram ao
tudoradio.com que irão suspender temporariamente essa prática no streaming quando estiverem atuando dessa forma ou fornecerão alternativas para que as emissoras do interior recebam esses conteúdos ao vivo. Isso porque o streaming acaba sendo uma alternativa para a formação dessas redes.

Os horários eleitorais no dial

No primeiro turno, as rádios terão
dois blocos contínuos de propaganda eleitoral por dia, de segunda-feira a sábado: o primeiro, das 7h às 7h25, e o segundo, das 12h às 12h25. Cada interrupção terá 25 minutos, somando 50 minutos diários de programação em rede, entre 28 de agosto e 1º de outubro.

Além dos blocos contínuos, as emissoras deverão reservar diariamente
70 minutos para inserções eleitorais de 30 ou 60 segundos, distribuídas ao longo da programação entre 5h e meia-noite.

Caso haja segundo turno, entre 9 e 23 de outubro, cada bloco terá 20 minutos quando houver disputas simultâneas para presidente e governador, ou 10 minutos se apenas um desses cargos estiver em disputa.

Repórter: TudoRádio

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