NAB Show 2026 - Rádio, inteligência artificial e encontro da indústria

Artigo do vice-presidente de Técnicas e Normas, Beto Amaral

23/04/2026


 Voltei da NAB Show 2026 com uma sensação que só quem frequenta há muitos anos entende. Já vi de tudo lá dentro. Teve época em que o assunto era TV digital, depois veio TV 3D, realidade virtual, 360 graus, links sem fio, virtualização… todo ano surge uma “grande tendência”. Algumas realmente mudam o mercado, outras passam mais rápido do que a gente imagina.

Nesse ano, três pontos ficaram muito claros para mim, todos com impacto direto em audiência e rentabilidade.

O primeiro foi o rádio. Não o rádio tradicional, mas um rádio reposicionado. O que apareceu com força foram soluções para podcast, rádio híbrido e produção ágil. O rádio híbrido, combinando o FM com a internet, começa a ganhar mais relevância prática, permitindo integrar áudio ao vivo com conteúdo sob demanda, dados, interatividade e distribuição multiplataforma. Já o podcast deixa de ser um complemento e passa a fazer parte da estratégia central, com formatos pensados desde a origem para circular em diferentes canais, inclusive com vídeo. Na prática, o rádio deixa de ser apenas linear e passa a operar como uma plataforma contínua de conteúdo, ampliando alcance, frequência de consumo e novas oportunidades de monetização

O segundo ponto foi a inteligência artificial. Diferente de outros anos, ela não apareceu como promessa. Estava em todo lugar, mas principalmente em uso real. Ferramentas aplicadas na geração de conteúdo, na automação e na aceleração de processos. Não é mais algo para testar, é algo para usar. E o impacto é direto: redução de custo e aumento de capacidade produtiva.

Mas, para mim, o ponto mais importante continua sendo o terceiro: relacionamento.

Visão de futuro

A NAB é um grande ponto de encontro da indústria. É ali que você consegue, em poucos dias, fazer o que levaria meses. Alinhar visão com fornecedores, entender para onde as empresas de tecnologia estão indo, compartilhar estratégias com outras Emissoras e também ouvir quem está operando na prática. Não é só networking, é ficar update sobre o nosso negócio.

É no café, no corredor, nos jantares, que você entende o que realmente está acontecendo. É ali que aprendemos, evitamos erros e enxergamos oportunidades. Muitas vezes, a diferença entre investir certo ou errado não está na tecnologia em si, mas na leitura que você faz do momento. E essa leitura vem muito mais dessas conversas do que de qualquer apresentação.

Foi nesse ambiente que apareceu, de forma recorrente, uma percepção importante, ao qual irei me aprofundar em outro momento: a TV 3.0 não deve ter adesão da maioria do mercado. Não por ser uma tecnologia ruim, mas porque o retorno do investimento não é nada viável.

Quando você junta esses três pontos, rádio mais acessível e produtivo, IA reduzindo custo e aumentando escala, e um ambiente de troca muito forte entre os players, começa a nos dar uma direção para onde estamos indo. Produzir mais, com menos custo, e distribuir melhor. E isso impacta diretamente o que importa: audiência e rentabilidade.

A NAB 2026 não foi sobre uma única grande inovação. Foi sobre uma mudança de lógica. Uma percepção de que o jogo está menos na tecnologia isolada e mais na eficiência de operação e na capacidade de tomar decisões melhores, mais rápidas e mais bem informadas.

Por fim, o que ficou para mim, é que o futuro não vai ser de quem tem a tecnologia mais nova. Vai ser de quem usa melhor o conhecimento, se conecta melhor com o mercado e transforma isso em mais audiência e rentabilidade.

Repórter: Beto Amaral/ VP Inovação e Competitividade

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