Uma política de atuação da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado de Santa Catarina adotada já há alguns anos também contribuiu, afirmam os representantes do setor privado, para que a forma que o Estado aplica seus recursos de publicidade tenha se tornado mais profissional, técnica e democrática. - artigo do jornalista Mário Xavier
19/03/2012Santa Catarina, este nosso pequeno Estado notável que é destaque nacional em tantas áreas, apresenta um setor de comunicação e propaganda que também tem lições a ensinar para o resto do país.
Apenas com a veiculação de anúncios, a mídia catarinense mobilizou R$ 1,026 bilhão em 2010, por meio de 228 empresas de TV, rádio, jornal, mídia exterior, revista e internet, que representam 82% do faturamento do setor nesse nicho. Os dados são do conceituado Instituto Mapa, em pesquisa realizada de forma inédita no Brasil por um Estado. A pesquisa 2012, referente ao desempenho de 2011, será concluída em maio próximo.
Segundo os dados de 2010, uma das características mais marcantes do mercado catarinense de comunicação é a quantidade de veículos de comunicação existentes, sua distribuição geográfica no território e a geração de quase 8 mil empregos, no âmbito da amostragem realizada, entre as 228 empresas participantes: 27,6% dos empregos estão na região da Grande Florianópolis, 21,6% no Oeste, 18,9% no Vale e 15,6% no Norte. A região Sul responde por 10,4% e a Serra por 5,9% dos trabalhadores do setor.
No total, são 531 veículos atuantes e sediados em todo o Estado, abrangendo 221 rádios AM e FM, 18 emissoras de TV e uma rádio de ondas curtas associadas da ACAERT (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão); 18 jornais diários em 12 municípios do interior, agrupados na ADI (Associação dos Diários do Interior); e 179 jornais de diversas periodicidades, reunidos na Adjori (Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina).
Os 94 veículos restantes são dos segmentos de mídia exterior, revista e internet. Não há praticamente um município catarinense que não seja alcançado por um sinal de TV ou rádio e por um jornal. E, o que é mais importante, são veículos operados por distintos grupos econômicos, a maioria de pequeno porte, com suas linhas editoriais próprias e seus enfoques de cobertura e conteúdos que levam em conta as necessidades e os sotaques regionais e locais.
Talvez surpreenda a muitos saber que 71% de toda a veiculação publicitária que sustenta a comunicação catarinense tem origem específica de anunciantes locais (50%) ou estadual (21%). Apenas 29% do bolo publicitário vem de anunciantes nacionais. Chama ainda mais a atenção que um antigo modelo de propaganda na mídia, que tradicionalmente dependia fortemente do Estado, foi radicalmente mudado nas últimas décadas: o setor público (incluindo prefeituras, governo estadual, governo federal e todos os demais organismos e empresas públicas) respondeu por tão somente 11% do total da veiculação publicitária em 2010, enquanto a iniciativa privada participou com mais do que expressivos 89%.
Uma política de atuação da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado de Santa Catarina adotada já há alguns anos também contribuiu, afirmam os representantes do setor privado, para que a forma que o Estado aplica seus recursos de publicidade tenha se tornado mais profissional, técnica e democrática.
Tal conduta tem valorizado as reais características e os potenciais de alcance dos veículos locais e regionais, rompendo com uma tendência anterior de priorizar apenas grandes veículos ou beneficiar outros em função de pressões ou favorecimentos políticos.
O grande beneficiário de um setor de comunicação mais plural, competitivo e diversificado, contudo, é a própria sociedade e o cidadão, seja ele leitor, ouvinte, telespectador ou usuário de internet.
Na medida em que os 531 veículos catarinenses oferecem alternativas diferenciadas de conteúdo, programação e acesso, o consumidor pode usufruir de mais opções e benefícios. Com mais opções de mídia, o cidadão também é mais respeitado em seu direito de discernir entre diversos pontos de vista, exercitar o contraditório e evitar o monopólio e o controle da informação e da opinião por apenas um pequeno grupo de empresas mais influentes e com poder de mídia maior junto às comunidades.
Todo esse cenário da comunicação catarinense caminha ao encontro, portanto, do que propugnou a própria Constituição Brasileira de 1988, ao dedicar no Capítulo V, da Comunicação Social, cinco artigos em especial, do 220 ao 224. O 220, em seu parágrafo 5º, determina que os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. O artigo 221, estabelece que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão a princípios como preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas e regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei.
Já o artigo 223 diz que compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observando o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal, assim como outros parágrafos normatizam como o Congresso Nacional tem a responsabilidade de analisar e aprovar ou não a renovação da concessão ou permissão a cada dez anos para as emissoras de rádio e quinze para as de televisão.
Por último, mas não menos importante, a Constituição de 1988, em seu artigo 224, instituiu o Conselho de Comunicação Social, que tem a responsabilidade de refletir a respeito e regular o setor no País contando com a participação de representantes das empresas, dos trabalhadores e da sociedade civil.
Com a pujança e a diversificação de mercado de mais de 500 veículos de comunicação distribuídos em todas as regiões do Estado, com um contingente de qualificados profissionais do setor, e calcada numa legislação constitucional que baliza as essenciais normas éticas e democráticas do setor, Santa Catarina ocupa hoje um lugar de destaque no que tange ao panorama midiático plural do Brasil, com benefícios evidentes para todos os agentes, atores e públicos envolvidos.
Mário Xavier,
jornalista, consultor, escritor