Inteligência artificial ganha espaço com debates sobre operação e segurança na SET Expo 2026

Painéis apresentam aplicações da IA em emissoras e discutem os desafios para o uso seguro no setor

18/08/2026


Foto: SET Expo 2026

A
inteligência artificial ganhou espaço entre os temas debatidos no primeiro dia do Congresso SET Expo 2026, iniciado nesta segunda-feira (17), no Distrito Anhembi, em São Paulo. Entre as atividades realizadas na abertura da programação estiveram dois painéis que abordaram diferentes pontos relacionados à tecnologia: as aplicações práticas que já fazem parte dos fluxos de trabalho de emissoras e os desafios de segurança e governança envolvidos na ampliação do uso da IA. O tudoradio.com, media partner oficial do SET Expo 2026, acompanha a programação do evento.

Um dos debates foi o painel “Experiências práticas da IA no workflow das emissoras”, que reuniu profissionais do SBT, Grupo RBS, Globo e CNN Brasil. A discussão apontou que a inteligência artificial já está incorporada a diferentes etapas das operações de empresas de comunicação, ainda acompanhada por processos de controle, governança e validação humana.

O debate foi moderado por Renato Rezende Mendes, gerente de Tecnologia e Programação da TV Rio Sul. Durante o painel, Ivan Ferraz, diretor de Tecnologia, Dados e Inovação do SBT, destacou a importância da governança para que as empresas consigam ampliar o uso da tecnologia de forma eficiente, responsável e compatível com suas regras internas.

Entre os casos apresentados esteve o do
Grupo RBS. Rhadam Miranda, gerente-executivo de Operações e Governança, detalhou o desenvolvimento do IRIS, ferramenta criada internamente para distribuir e monitorar sinais de vídeo das rádios e dos produtos digitais do grupo. A solução foi utilizada durante a cobertura da Copa do Mundo, em uma operação que exigiu a sincronização de comunicadores distribuídos entre Brasil, Estados Unidos, México e Canadá. Segundo o executivo, mais de 15 ferramentas customizadas já foram desenvolvidas especificamente para a operação do grupo.

A Globo também apresentou uma experiência realizada durante a Copa do Mundo. Renan Porto Gomes, head de Acervo e Governança de Dados de Conteúdo, detalhou o funcionamento do
Globo Genius, plataforma que processou simultaneamente três sinais da competição e foi capaz de gerar mais de 350 highlights automáticos por jogo, com durações diferentes de acordo com o contexto de cada lance. Apesar da automação, o processo manteve a validação humana das informações geradas.

Na
CNN Brasil, Marcio Tumen Pinheiro, chefe de Redação, apresentou um fluxo no qual conteúdos previamente apurados e aprovados para exibição são transformados em textos destinados ao ambiente digital. O processo também prevê revisão humana obrigatória e informação ao público quando a inteligência artificial participa da produção. A abordagem apresentada relaciona o ganho de produtividade à redistribuição dos esforços das equipes, e não à substituição dos profissionais.

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Segurança acompanha expansão da IA
 

Outro painel realizado durante o primeiro dia do congresso tratou justamente de um dos pontos associados à expansão dessas aplicações. Sob o tema
“Possibilitando a escalada da IA com segurança”, especialistas discutiram como as empresas podem ampliar a utilização de agentes e assistentes de inteligência artificial sem transformar os mecanismos de proteção em uma barreira à inovação.

O debate foi moderado por Vicente Fiebig, gerente de Segurança da Informação da Globo, e contou com a participação de Marcos Julião, sócio-fundador da JC2SEC; Washington Cabral, Named Account Executive da Salesforce; e Cláudio Neiva, Principal Identity Strategist da SailPoint.

Entre os pontos abordados esteve a necessidade de
incorporar os riscos relacionados à IA à gestão das organizações desde a implementação das soluções. A discussão indicou que governança e parâmetros de segurança adotados desde o início podem contribuir para viabilizar a inovação, evitando que os controles sejam estruturados apenas depois da ocorrência de problemas.

Outro aspecto destacado foi o crescimento das chamadas
identidades não humanas, categoria que inclui aplicações, serviços, máquinas e agentes capazes de interagir com sistemas e recursos digitais. Segundo Cláudio Neiva, em determinados ambientes tecnológicos, essas identidades já podem chegar a uma proporção de 100 para cada identidade humana, ampliando a necessidade de identificar como cada uma acessa recursos e a quem está associada.

Os especialistas também apontaram como desafios a velocidade de incorporação da inteligência artificial aos negócios, a necessidade de acompanhar um ambiente tecnológico em constante transformação e a ampliação da visibilidade sobre as ferramentas utilizadas dentro das empresas. A resiliência cibernética também foi citada como um ponto que ganha importância diante de operações cada vez mais automatizadas.

Os dois debates mostram diferentes lados de um mesmo movimento observado no setor de mídia:
a inteligência artificial avança de uma fase predominantemente experimental para aplicações efetivas dentro das operações, enquanto empresas e profissionais passam a discutir de forma mais aprofundada os modelos de governança, segurança e controle necessários para sustentar essa expansão.

O Congresso SET Expo 2026 começou nesta segunda-feira (17) e segue com sua programação até quinta-feira (20), reunindo debates relacionados aos diferentes segmentos de tecnologia, mídia e entretenimento.

Repórter: TudoRádio

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