Fake news reforçam confiança em veículos consolidados, indica estudo

(01/11) Reputação dos veículos já consolidados de mídias impressas e canais de TV e rádio provou ser mais resistente

A Kantar publicou na terça-feira (31) os resultados de seu estudo global sobre confiança nas notícias, o “Trust In News”. O relatório, elaborado a partir de entrevistas com oito mil indivíduos quanto a suas atitudes em relação à cobertura jornalística de política e eleições no Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos, constatou que a reputação dos veículos já consolidados de mídias impressas e canais de TV e rádio provou ser mais resistente que a de plataformas digitais e de veículos de notícias exclusivamente online, principalmente devido à profundidade da cobertura oferecida.

As audiências estão se tornando mais amplamente informadas e sofisticadas em seu envolvimento e avaliação do conteúdo de notícias. O público continua a acreditar que o jornalismo é crucial para a saúde da democracia, mas tornou-se mais cético. Isso pode ser percebido especialmente no Brasil e nos EUA, onde uma porcentagem significativa da população acredita que as fake news afetaram decisões políticas e os resultados das últimas eleições.
 
Segundo o estudo, revistas impressas são consideradas as fontes de notícias mais confiáveis, seguidas de perto por outros veículos já consolidados, como jornais impressos e noticiários de TV e rádio. Veículos de notícias exclusivamente online são considerados confiáveis por metade da população, significativamente menos que seus equivalentes impressos e transmitidos por TV ou rádio. É interessante observar que as presenças online de veículos impressos e canais de TV e rádio são consideradas ligeiramente menos confiáveis que os títulos ou canais que lhes dão origem.
 
"A imprensa conseguiu livrar-se das acusações de fake news e continuou a desfrutar de altos níveis de confiança entre os consumidores de notícias. O desafio agora para estas empresas é monetizar esta lealdade, e nós identificamos algumas formas de explorar essa possibilidade. A mídia já consolidada precisa ter confiança em investir nas suas marcas e ao mesmo tempo criar modelos de assinatura flexíveis para as gerações mais jovens de consumidores, que estão cada vez mais confortáveis com modelos de pagamentos recorrentes", afirma Eric Salama, CEO da Kantar.
 
O estudo também mostra que o público que lê notícias está ampliando o seu leque de acesso a informação: 40% dos consumidores de notícias aumentaram o número de fontes que usam em comparação com os 12 meses anteriores.
 
Além disto, o consumidor de notícias está se tornando mais cuidadoso. O levantamento mostra que 40% dos usuários de mídias sociais exploram pontos de vista diferentes de seus próprios. Além disso, mais de três quartos dos consumidores de notícias declaram ter efetuado uma averiguação independente dos fatos de uma história, enquanto 70% reconsideraram compartilhar um artigo, preocupados que pudesse tratar-se de fake news. Por outro lado, quase um em cada cinco entrevistados admite ter compartilhado uma história após ter lido apenas o título.
 
Nos quatro países estudados, 46% dos consumidores de notícias acreditam que fake news tiveram um impacto nos resultados de suas últimas eleições. Isto ficou mais pronunciado no Brasil – onde 69% acreditam que fake news tiveram um impacto político, e nos EUA, onde 47% acham que houve uma influência. Por outro lado, 44% deles acreditam que as audiências têm a responsabilidade de combater as notícias falsas.
 
A pesquisa “Trust in News” da Kantar entrevistou amostras representativas de dois mil indivíduos no Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos. Um resumo mais completo da pesquisa encontra-se no site Kantar Brasil Insights, juntamente com acesso ao relatório na íntegra.
 

Fonte: Assessoria de Comunicação ACAERT c/ Revista Imprensa