A história da rádio em Santa Catarina nasceu em meados dos anos 20, pelas mãos do contador João Medeiros Júnior. Nascido na antiga Desterro, atual Florianópolis, em 1893, este comerciante sempre teve uma atividade social intensa, chegando a ser escolhido como membro do Conselho Consultivo do Município (câmara municipal) e nomeado suplente de juiz de direito por duas vezes. Foi também o pioneiro no radioamadorismo catarinense. Em 1929, na cidade de Blumenau, com um auto-falante instalado na propriedade da Empresa Industrial Garcia, tocava músicas durante algumas horas do dia. A partir de então, o que era apenas um auto-falante foi se tornando equipamentos mais potentes, até que em 19 de março de 1936, foi concedida a licença para a primeira rádio do Estado, a Rádio Clube de Blumenau.
Sua programação consistia apenas de anúncios e músicas. O programa mais conhecido dessa época era Peça sua Música, onde as músicas eram oferecidas para amigos(as) e namorados(as). Poucas vezes eram lidas notas jornalísticas extraídas de jornais. A transmissão era feita das 6 horas da manhã até às 23 horas (horário que permaneceu por quase 50 anos), muitas vezes a programação era interrompida devido aos equipamentos, que esquentavam muito e tinham que "descansar" durante um certo período do dia. A locutora, pela manhã, era Atalá Branco, ia para rádio apenas nas horas de folga, e na parte da tarde, João Medeiros Júnior e José Ferreira da Silva eram os locutores. Como as transmissões eram todas ao vivo, era obrigatória a presença de pelo menos um locutor no estúdio. A Rádio Clube de Blumenau iria reinar por muitos anos sozinha, pelo menos durante a década de 30.
Dado o passo inicial, nos anos que se seguiram a rádio foi se consolidando, abrindo assim novos espaços para que outras emissoras pudessem conseguir sua concessão. Na década de 40 houve um boom, surgindo 18 novas emissoras no Estado. Entre elas as que mais se destacaram foram a Guarujá, de Florianópolis e a difusora de Joinville. Em 1941, surge a rádio difusora de Joinville, fruto da visão empreendedora de Wolfgang Brosig, que já em 1938, com sua perseverança e determinação, comandava - do porão de sua casa - a programação sozinho, fazendo a locução e ainda colocando discos e operando a mesa de áudio. Com a efetiva regulamentação, a partir de 1941, sua programação consistia em diversas campanhas como arrecadação de agasalhos e alimentos para flagelados do Rio Grande do Sul e uma campanha para o Asilo Municipal de Orfãos da cidade de Abdon Batista.
Entre as várias emissoras surgidas na década de 40, nasce a primeira rádio da capital catarinense, a Guarujá. Pelas mãos dos amigos Ivo Serrão Vieira, Epaminondas dos Santos, Mozart Régis, Walter Lange Júnior, entre outros. Tinha uma programação que ia desde a Hora Literária, onde eram declamadas poesias que logo depois eram comentadas, passando pelos programas esportivos até chegar num programa religioso chamado Ave Maria. A rádio se caracterizou pelo seu amadorismo, pois eles trabalhavam por vocação e pela aventura de estarem realizando um grande sonho. As outras rádios que surgiram nessa época foram: Araguaia, em Brusque; Tubá, em Tubarão; Mirador, em Rio do Sul; Eldorado, em Criciúma; Clube de Lages, em Lages, entre outras.
Sem dúvida as décadas de 50 e 60 foram as mais agitadas da rádio catarinense. Além das radionovelas a política começou a entrar definitivamente na programação das emissoras. Até 1964 era uma briga para ver quem tinha mais poder político, e as rádios se tornaram as melhores armas. Com o fim do Estado Novo e o Brasil novamente voltando a ser um País democrático, as rádios se tornaram um instrumento importante no cenário político nacional e principalmente catarinense. Nessa época surgiram emissoras que tinham "vida" apenas durante as eleições e depois sumiam com a mesma rapidez com que nasciam. Geralmente essas concessões eram dadas a políticos para sua própria campanha. Mas, com as famílias Konder e Bornhausen figurando como as mais importantes na política de Santa Catarina o monopólio das rádios por eles conquistados foram decisivos para o futuro da política no Estado. A Diário da Manhã que funcionava em Florianópolis foi o veículo de comunicação mais importante nesta fase da rádio em Santa Catarina.
Os irmão Zigelli também marcaram seu tempo na rádio com o programa Governo do Estado em Foco, onde manifestavam suas preferências políticas sem qualquer preocupação em respeitar seus adversários políticos. O dono da Rádio era o governador Jorge Lacerda, logo a tendência de Walter e Adolfo Zigelli era udenista. Com a ditadura em 1964 as coisas ficaram mais difíceis, a liberdade das pessoas foi cerceada acabando assim um pouco dos sonhos que a rádio trasmitia para seus ouvintes.
No final dos anos 70 e início dos 80, as emissoras sofreram uma mudança com o surgimento das ondas em FM. A rádio então perdia o glamour das radionovelas e programas de auditório. As FM entraram por todos os lados e em pouco tempo conseguiram um espaço antes só ocupado pelas emissoras AM. A tecnologia começava a ter mais importância do que os profissionais que estavam trabalhando.
Os discos de vinil foram trocados por Cds, e já estão aparecendo os primeiros Mds, sinal de que realmente os tempos mudaram. Com o som sendo digitalizado e com a entrada da internet no meio radiofônico, a rádio entra na sua era moderna.
Porém
a magia do rádio continua viva na memória de todos que participaram
dessa história, e para as pessoas mais novas que ainda têm uma
grande atração por esse importante meio de comunicação.




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