Entidades empresariais querem a manutenção da prorrogação da desoneração da folha de pagamento

(10/07) Para valer, Congresso Nacional precisa derrubar veto do presidente da República. Desoneração beneficia setores que mais empregam

Representantes dos setores da economia que mais empregam pediram ao Congresso a extensão, por mais um ano, da desoneração da folha de pagamento. O presidente Bolsonaro vetou a prorrogação que tinha sido aprovada pelo Congresso.

 

Mais de 30 associações se mobilizaram, entre elas a Abert. Fazem parte dos 17 setores da economia afetados pelo veto: calçados, call center, comunicação, construção civil, máquinas e equipamentos, proteína animal, têxteis, entre outros.

Senadores e deputados já estão recebendo o documento. Um pedido para que o Congresso reverta, derrube o veto do presidente Jair Bolsonaro, e mantenha a prorrogação da desoneração da folha de pagamento das empresas por mais um ano, até dezembro de 2021.

Eles afirmam que o adiamento é medida imprescindível à preservação de estruturas produtivas que abrangem cerca de 6 milhões de empregos formais diretos, aos quais se somam milhões de postos de trabalho em suas redes de produção. E que o impacto da reoneração da folha em meio à atual crise seria insuportável.

 

Defendem que, em 2021, é absolutamente improvável que a economia e as empresas estejam plenamente recuperadas e capazes de suportar tal mudança. E que, por isso, a desoneração é uma importante sinalização para decisões empresariais que precisam ser tomadas em meio aos desafios atuais e que deverá ajudar a salvar centenas de milhares de empregos.

 

De março a maio, em meio à pandemia do novo coronavírus, só o setor de transportes demitiu 56 mil trabalhadores. Outro setor que será afetado com o veto é o de proteína animal, que atende o mercado interno e exporta.

 

O presidente da associação das empresas diz que a manutenção da desoneração é imprescindível para abrir mais postos de trabalho no ano que vem. “Para o setor de proteína animal, a desoneração da folha é fundamental. Nós geramos 4 milhões de empregos no Brasil. Nós imaginamos que em torno de 50 mil novos empregos serão gerados com essa desoneração e essa prorrogação”, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra.

 

A avicultura também prevê grandes dificuldades sem a desoneração. O setor afirma que, para manter os empregos atuais, teve de fazer investimentos em saúde e segurança. “Nós não aguentaríamos esse impacto agora, principalmente porque agora, nesse período de todas as prevenções que nós estamos tendo com Covid, a maioria das empresas está trabalhando com em torno de 10 a 12% a mais de pessoas contratadas justamente para substituir aquelas pessoas de grupo de risco, aquelas pessoas que por acaso têm alguma suspeita de Covid”, afirma o diretor presidente da Associação Paulista de Avicultura, Érico Pozzer.

 

Se o veto do presidente Bolsonaro não for derrubado, a desoneração da folha de pagamento das empresas vai até dezembro deste ano. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Democratas, disse que o apoio à prorrogação da medida cresceu no Congresso e que os deputados devem votar pela derrubada do veto. “Esse debate agora está no Congresso, está na Câmara, e eu espero que a gente consiga derrubar esse veto. Derrubar esse veto vai significar garantir empregos no próximo ano”, diz Maia.

 

A Frente Parlamentar da Agropecuária, que reúne mais de 200 deputados, concorda. “Num momento como este, de grande sensibilidade e desemprego, votar contra uma matéria dessa é muito complicado”, diz o presidente, deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

Fonte: G1